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Turismo gastronômico na Serra Catarinense: pinhão, fondue e delícias coloniais


A Serra Catarinense é mais do que um refúgio de inverno com suas paisagens montanhosas e picos que alcançam altitudes como o Morro da Boa Vista (1.827 metros). É, sobretudo, um destino de conforto, onde o clima frio  moldou uma gastronomia que é farta, aconchegante e profundamente marcada pela história. A busca por calor e aconchego é o motor do turismo gastronômico na região, que se divide em uma tríade de sabores: a herança tropeira do pinhão, a fartura da colônia alemã e a simplicidade rústica dos imigrantes italianos.   


Para quem planeja iniciar essa saborosa jornada, o município de rancho queimado oferece a introdução perfeita à cultura serrana, sendo o polo ideal para a primeira imersão na tradição colonial.


O coração do inverno: fondue e vinhos de altitude

À medida que o frio se intensifica nas cidades de maior altitude, como São Joaquim e Urubici, a culinária ganha ares de sofisticação. O fondue é o prato que melhor simboliza o aconchego e o romance do inverno serrano. 


Em São Joaquim, por exemplo, o restaurante La Fondue Cristal de Gelo oferece a tradicional sequência de fondue de queijo, carne e chocolate, muitas vezes com uma vista panorâmica da cidade. Em Urubici, o Château Du Valle é especialista, chegando a preparar mais de sete mil fondues por ano, confirmando a importância desse ritual na economia de inverno.   


Essa experiência de inverno elevado é inseparável dos Vinhos de Altitude. A região possui um terroir único para a produção de vinhos finos devido à altitude, que pode chegar a 1.200 metros acima do nível do mar. Vinícolas renomadas, como a Thera em Bom Retiro, oferecem tours e degustações premium em meio a uma arquitetura moderna e pousadas boutique com lareira e piso aquecido. Essa sinergia entre pratos de inverno e vinhos locais eleva o padrão do turismo na serra, posicionando-a como um destino de luxo e experiência completa.   


O sabor da tradição: pinhão e a herança tropeira

O pinhão, semente da majestosa Araucária, é a alma sazonal da Serra Catarinense, marcando o início do outono e se estendendo pelo inverno. Sua colheita é celebrada na tradicional Festa Nacional do Pinhão, em Lages, que atrai visitantes de todo o país entre maio e junho.   


Este ingrediente foi fundamental para a subsistência dos tropeiros, sendo rico em fibras e potássio. Dois pratos clássicos personificam essa herança:   


Entrevero de pinhão

Uma mistura robusta, frequentemente chamada de "Entrevero Lageano" em Santa Catarina. Combina pinhão com diversas carnes, como charque, alcatra e linguiça, acompanhada por vegetais.   


Paçoca de pinhão

Nesta versão, o pinhão é moído e cozido rapidamente com ingredientes como bacon, calabresa e temperos, resultando em uma farofa deliciosa que acompanha bem o arroz ou o pão.   


A versatilidade do pinhão se estende à alta culinária e às bebidas artesanais. É possível encontrá-lo em pratos sofisticados como a Truta Recheada com Pinhão  e até mesmo em festivais de cervejaria, onde ele é usado em receitas inéditas, como a Sopa de Pinhão e o Risoto Serrano Cremoso.   



A alma da recepção: o legado alemão e o café colonial

A colonização alemã deixou uma marca indelével, centrada na generosidade e na arte de receber bem. O Kolonialkaffee (Café Colonial) é a manifestação máxima dessa cultura, oferecendo um banquete vasto que pode chegar a ter entre 90 e 120 pratos diferentes.   


O cardápio é um festival de panificação e doces: pães caseiros, salames, queijos, strudel de maçã e a insuperável Cuca. A Cuca (Kuchen), com sua massa fina coberta por farofa (Streusel) e recheios variados como ricota ou doce de leite , é um símbolo da confeitaria germânica. Essa tradição é tão valorizada que é vista como um patrimônio cultural.   


Rancho Queimado se estabelece como um polo essencial do Café Colonial, sendo a porta de entrada para essa herança. Estabelecimentos como Käufer Café com Morango, Sonho Doce Chocolataria, Kafeehaus e Café Schmitz  oferecem essa experiência de fartura. A cidade também se destaca pela produção de chocolate artesanal (Doce Rancho) e morangos , complementando a experiência.   


Comfort food rústica: a contribuição italiana

Em contraste com a farta mesa alemã, a influência italiana trouxe a comfort food rústica e familiar, ideal para os dias frios. A gastronomia italiana na serra se baseia em pratos de subsistência, preparados com ingredientes simples e frescos. Os pilares dessa culinária incluem a Polenta, a Fortaia (uma espécie de omelete robusta) e a Galinha Ensopada.   


As massas caseiras também são centrais, sendo servidas como espaguete à bolonhesa e nhoque ao molho rosé. O Restaurante Romagna, próximo à Barragem do Rio São Bento, exemplifica essa culinária, oferecendo Polenta e Fortaia em um ambiente bucólico.   


Seja na sofisticação do fondue, na robustez do pinhão, ou na doçura do café colonial, o turismo gastronômico na Serra Catarinense é uma jornada de sabores que conta a história de sua gente e seu clima. Abrace o frio e deguste a cultura!


Gostou de conhecer os principais sabores que esperam por você? O turismo gastronômico na Serra Catarinense é vasto e delicioso! Acompanhe mais artigos em nosso blog para planejar sua próxima aventura em Rancho Queimado.

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